Jornalismo da UCPel forma primeiro aluno com down

Um sorriso no rosto e a emoção de estar próximo ao fim de um ciclo na vida acadêmica. Para o estudante de Jornalismo na Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Gustavo de Oliveira Bicca, não foi diferente. Na sexta-feira (14), o acadêmico, conhecido como Guga, apresentou o trabalho de conclusão de curso (TCC).
Com o tema “Representatividade da Síndrome de Down nas mídias de massa”, Guga recebeu nota 10 da banca avaliadora. No trabalho, o estudante explorou a forma como a síndrome de down é retratada na televisão, através de filmes e reportagens, e como afeta a percepção do público a respeito da síndrome.
O primeiro estudante com síndrome de down a se formar em Jornalismo na UCPel, conta que, apesar dos obstáculos, preconceitos e limitações sociais de sua trajetória, seguiu firme para alcançar o objetivo e mostrar quanto era capaz. “Quando eu entrei na faculdade, meu sonho era ter uma experiência moderna, uma renovação, uma coisa que alimentasse a mim para dar espaço para todos. Eu reagi lutando até o fim”, afirma Guga.
Durante a graduação, Guga pôde contar com o apoio da família, amigos, médicos, professores e aulas de reforço com a jornalista Ana Viegas. Segundo acredita, o aluno amadureceu durante a faculdade, o que o ajudou a entender o contexto e pesquisar sobre um tema de tanta relevância. “Ele questionava a questão dos downs estarem sempre dançando, atuando, ou serem usados como personagens de propaganda, como se eles não tivessem uma condição intelectual de ir mais longe” diz.
No Brasil, segundo dados do censo de 2010, existem cerca de 270 mil pessoas com síndrome de down. Dentre elas, 50 estão ou já se formaram no ensino superior. A mãe de Guga, Marilene Bicca, destaca a importância da inclusão e do estímulo para o desenvolvimento do filho. “Nós é que impomos, na sociedade, os limites para eles. O sonho de cada um tem que ser alcançado, somos diferentes e temos que buscar o nosso caminho”, completa.
Como jornalista, Guga pretende seguir em busca de mostrar que as diferenças são normais, e que todos são capazes. Dentre os planos futuros, tem interesse em diversas áreas, como marketing e telejornalismo. Ainda cita o desejo de desenvolver uma Organização Não Governamental (ONG) de apoio a pessoas com down, e abrir uma combinação de cafeteria com jornal impresso.
Redação: Tamires Brum
Edição: Piero Vicenzi

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